imagem Bouba/Kiki

A importância das formas no design de marca: lições do experimento Bouba/Kiki

Quando nós, designers, desenvolvemos identidades visuais, sites, ilustrações ou quaisquer elementos que complementam uma marca; pretendemos através de todas elas, contar uma história, o famoso storytelling, e para isso usamos todos os recursos disponíveis para compor um cenário e uma estratégia visual que conecte a sua marca, aos seus cliente. 

Durante anos, o cérebro humano e a forma como o ambiente e elementos contidos nele influenciam suas reações e ações foi estudado e testado, um em particular nos interessa nesse artigo: o efeito Bouba/Kiki.

Imagem apresentando Wolfgang Köhler, Vilayanur S. Ramachandran e Edward Hubbard

Em 1929, o premiado cientista Wolfgang Köhler iniciava e conduzia um experimento que, posteriormente em 2001, 72 anos depois, seria assumido pelo neurocientista indiano Vilayanur S. Ramachandran e seu parceiro de pesquisa e doutor em Psicologia e Ciência Cognitiva, Edward Hubbard. A pesquisa em questão consistia em mostrar duas imagens para as pessoas e perguntar a elas: “Qual dessas formas é Bouba e qual é Kiki?”. 95% dos entrevistados associaram a imagem de cantos pontudos e linhas mais retas a “Kiki” e a imagem de cantos suaves e traços mais arredondados a “Bouba”.

Segundo Ramachadran e Hubbard, isso acontecia porque os participantes ao olharem para as formas, as ligava aos nomes pelo som da palavra, ou seja “Kiki” um som mais seco e raspado e “Bouba” um som mais arredondado.

E este efeito também se estendia aos traços de personalidade que os participantes atribuíam para as formas, sendo as arredondadas associadas a características mais amigáveis, descontraídas e simpáticas e as pontiagudas ligadas a personalidades mais determinadas, rígidas e sérias.

A pesquisa e os resultados que ela vem proporcionando tem inestimável valor para o campo do design, desde a diferenciação lúdica entre bruxas e princesas da Disney, até o formato dos botões de uma landing page de lançamento de produto. Dentro do universo do branding, essa pesquisa também tem grande valor.

Imagem exemplificando visualmente o logo da Pampers e o da Axe

Marcas como Pampers e Lego que querem passar uma maior proximidade, extroversão e até mesmo acolhimento, possuem traços mais fluidos e arredondados; enquanto marcas como Axe e Diesel, para passar a mensagem de uma marca imponente e séria usam formas retas e rígidas. 

Entender sobre o mercado no qual se está inserido, o público que se pretende atingir e a mensagem que se deseja passar, impactam na definição dos elementos que irão compor a marca, principalmente, as formas que lhe darão corpo; estudos como Bouba/Kiki contribuem para a compreensão do público e o crescimento da sua marca.

Bibliografia sugerida: Enviesados: sobre psicologia e vieses cognitivos aplicados ao Design de Experiência, Rian Dutra

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